O Enigma do Atlântico

1902:
Um enigma no Atlântico
A possível existência de civilizações submarinas é um assunto que há muito instiga a imaginação dos escritores de ficção científica. Não é difícil entender o porquê. Como o leito dos oceanos da Terra permanece em sua maior parte intacto, pode-se facilmente imaginar que existam cidades subaquáticas construídas por seres subterrâneos mais adiantados que não sejam conhecidas pelo Homem. Contudo, ao mesmo tempo em que histórias baseadas em tal possibilidade permanecem populares na literatura de ficção científica, numerosos incidentes na vida real ocorridos neste século são capazes de provar que o fundo dos oceanos pode esconder segredos que se adaptariam perfeitamente a um romance de Júlio Verne.
Nas primeiras horas do dia 28 de outubro de 1902, o navio mercante britânico de nome SS Fort Salisbury rumava para o norte a todo vapor através do golfo da Guiné, não muito longe da costa ocidental da África, no Atlântico Sul. O mar estava calmo e o céu, limpo, de modo que foi fácil para o vigia do navio avistar duas luzes vermelhas que emergiam a menos de cem metros adiante a estibordo. Ao olhar as luzes com binóculos, o vigia observou que elas iluminavam um objeto imenso e escuro que, embora tendo claramente a forma de um transatlântico, era de um tipo nunca visto antes. Consciente de uma possível colisão, ele alertou o operador do leme e chamou o segundo-oficial, A. H. Raymer, que acorreu ao convés para ver, com seus próprios olhos, a misteriosa embarcação.
Entretanto, o segundo-oficial teve a oportunidade de observar o objeto apenas por uns poucos instantes antes que ele submergisse. Ainda assim, foi o suficiente para confirmar os detalhes básicos observados pelo vigia.

A possível confusão com algum animal marinho era uma possibilidade muito mais remota. Embora cada uma das testemunhas a bordo do Fort Salisbury tivesse observado que a superfície do objeto parecia escamada e não lisa, as chances de terem visto uma espécie de peixe gigante eram menores que zero, pois precisaria ser muitas vezes maior do que uma baleia azul, a maior das criaturas aquáticas. Além disso, segundo o comentário de um membro do almirantado, peixes não usam faróis.
Por causa do mecanismo que possuía e do seu comportamento, tratava-se evidentemente de algum tipo de embarcação submarina. O único problema dessa teoria era que, no ano de 1902, nenhuma nação na Terra dominava a tecnologia de construção de submarinos daquele tamanho. Em 1888, o primeiro submarino a operar plenamente foi lançado ao mar pelos franceses, era movido por uma hélice simples e impulsionado por um motor elétrico, pesando somente trinta toneladas. Dois anos depois, os alemães, que eram os verdadeiros mestres da tecnologia de veículos submersíveis, lançaram ao mar uma embarcação de duzentas toneladas, que não se tornou plenamente operacional antes de 1905. Portanto, aquela aparição, sem explicação naquela época, continua a ser um enigma.
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