A ILHA DA PÁSCOA
A Ilha de Páscoa (Rapa Nui, no idioma polinésio) é conhecida por abrigar mais de mil estátuas de pedra - os moais. Esculpidos no século VIII, têm mais de 5 metros de altura, alguns chegam a 21 metros. Os arqueólogos tentam decifrar o significado desses monólitos. Já descobriram que simbolizam os chefes das dez grandes tribos que povoaram a ilha. Mas, por que estariam todos de costas para o mar? Dizem os nativos que os moais são guardiões e foram construídos para oferecer protecção à ilha por meio de uma "energia" emitida dos seus olhos.
Por isso, jamais estariam de costas para a ilha. A ciência tem ainda outra questão para esclarecer: como estes imensos blocos de pedra, que pesam dezenas de toneladas, foram deslocados pela ilha? Que engenharia teria sido capaz de erguê-los? A explicação dos nativos é ainda mais difícil de acreditar: os antepassados teriam usado a levitação para movê-los???
Localizada no oceano Pacífico a 3200 km da costa do Chile, a Ilha da Páscoa, ou Rapa Nui como a chamam os polinésios, intrigou os europeus, ainda antes que um deles pusesse os pés na ilha. No dia da Páscoa do ano de 1722 o capitão Jacob Roggeveen ao avistar a desconhecida ilha, intimidou-se com o que, sob a luz difusa do entardecer, pareciam ser ameaçadores gigantes protegendo a costa. Os gigantes, descobriu o cauteloso capitão na manhã do dia seguinte, eram impressionantes estátuas de pedra, construídas por um povo que chamava à sua ilha de "Te-Pito-Te-Henua", ou "Umbigo do Mundo".
O nome de "umbigo do mundo" não poderia ser mais apropriado. A Ilha da Páscoa é um dos pontos mais remotos da Terra; está a quase 2000 km da civilização mais próxima, a ilha Pitcairn. Esta pequena ilha vulcânica, que pode-se percorrer a pé em apenas um dia, reservou aos arqueólogos vários enigmas:
(1) De onde teriam vindo os primeiros habitantes da Ilha da Páscoa e como fizeram para chegar a um ponto tão isolado do oceano Pacífico sem dispor de grandes navios e instrumentos de navegação?
(2) Por que a ilha estava praticamente deserta quando foi visitada pela segunda vez em 1774? O que acontecera aos seus habitantes nos 50 anos que se passaram após sua descoberta?
(3) E finalmente, quem construiu e por quê, os colossais gigantes de pedra chamados pelos nativos de moai? E como fizeram para transportar e erguer estas estátuas, a maior delas de 90 toneladas, por distâncias que podiam chegar a 20 km?
Enquanto os pesquisadores falharam em dar respostas definitivas a estas questões, a Ilha da Páscoa foi alvo das mesmas especulações místicas/extraterrestres que atingiram outros sítios arqueológicos famosos como as pirâmides do Egipto, as civilizações dos Maias e Incas, as linhas da planície de Nazca, etc.
Entretanto, para desapontamento de grande quantidade de ufólogos e paranormais nenhuma das três questões permanece actualmente um mistério.
A explicação mais viável, teórica e experimental foi dada p
elo arqueólogo Thor Heyerdahl nos anos 50. Intrigado com a existência de pés de tomate na ilha, uma planta nativa da América do Sul, e pela perfeição dos muros construídos, semelhantes aos dos Incas, Heyerdahl propôs que o povo de Rapa Nui seria descendente de uma civilização anterior aos Incas, que se teria lançado ao mar na costa do Peru e alcançado por acidente a remota ilha. Heyerdahl mostrou que a viagem seria possível organizando ele mesmo uma expedição que se tornou famosa, a Kon Tiki, que após três meses no mar chegou aos recifes da Ilha de Puka Puka (bastante ao norte de Rapa Nui). Mesmo tendo provado ser possível navegar grandes distâncias no oceano Pacífico utilizando canoas semelhantes a dos primitivos navegadores, esta teoria não foi amplamente aceite pela comunidade científica por falta de evidências arqueológicas e linguísticas. Hoje em dia está definitivamente provado, através do exames de ADN nos esqueletos encontrados na ilha, que os primeiros habitantes da Ilha da Páscoa não vieram do Peru mas das ilhas Polinésias, por volta do ano 400 D.C. Este é ao mesmo tempo o "mistério" mais bem resolvido de todos e o mais inquietante. Estudos de pólen mostram que na época em que os polinésios chegaram à Rapa Nui, por volta do ano 400 D.C., a ilha era inteiramente coberta por florestas. No entanto quando os europeus chegaram em 1722, encontraram uma ilha completamente sem floresta a não ser por umas poucas árvores nas regiões mais altas.
Os arqueólogos sabem hoje que enquanto houve abundância de recursos, a população de Rapa Nui cresceu e floresceu como uma das mais avançadas do seu tempo. Mas assim que a madeira, utilizada para cozinhar, para construir barcos e casas e especialmente para mover as pesadas estátuas esgotou-se, a civilização ruiu e a barbárie instalou-se. Sem poder construir casas o povo passou a viver em cavernas. Sem redes (que assim como as roupas eram feitas à partir da madeira) não podiam pescar e o frango tornou-se praticamente a única fonte de alimento que tinha que ser defendido contra os saques.
Com o alimento escasso e vivendo um estado de guerra constante, muitos iniciaram-se no canibalismo. E o mais trágico é que sem barcos para vencer os milhares de quilómetros até a ilha mais próxima, o povo de Rapa Nui tornou-se prisioneiro na sua própria lha.
Em poucos anos a população, que no auge tinha sido de quase 10.000 pessoas, reduziu-se para algumas centenas de sobreviventes apenas.
A trágica história do povo da Ilha da Páscoa tem sido muitas vezes usada como metáfora para a história da própria humanidade.
Assim como os antigos habitantes de Rapa Nui nós também estamos ilhados no nosso planeta e dispomos de uma quantidade finita de recursos naturais.
Será que podemos aprender com o fracasso daquele povo e descobrir um meio de evitar o colapso da nossa civilização antes de extinguir os nossos recursos naturais.
MOAIS MOAIS MOAI



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